{Dreamer, Dreamer} Million miles away.
sábado, 19 de fevereiro de 2011 08:55 :: 3 comentários
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- Boa noite. - ela disse.
- Oi. - ele disse e se aproximou da garota. Ela tremeu um pouco com o ato dele mas não se moveu. Ele reparou e em alguns passos quebrou a distância entre os dois. A garota, assustada, deu dois passos para trás.
- Ana Clara... - ele murmurou mas ela o interrompeu.
- Thomas, desculpa mas eu não consigo. Isso é errado, e nós dois sabemos disso. - ela suspirou e deu mais dois passos para trás.
- Por favor... - ele murmurava enquanto esticava uma das mãos na menção de que ela segurasse.
- Eu que lhe peço. - ela disse abaixando a mão dele com cuidado. Ele suspirou derrotado e colocou as mãos nos bolsos da calça jeans cinza escuro que usava.
- O que você veio me falar, afinal de contas? - ele indagou se apoiando nas costas do sofá. Ana Clara se encaminhou para o passa prato de madeira, passando a mão lentamente pela superfície fria e se sentando ali em seguida.
- Não quero que você fique bravo comigo, Thomas. - ela disse em um tom tão baixo que talvez o garoto nem tivesse ouvido.
- Se você se deu o trabalho de vir aqui para me dizer isso, pode ir embora. - ele se levantou e abriu a porta do apartamento. - Porque eu já estou bravo com você.
- Thomas, por favor, tenta entender... - ela começou, descendo do balcão mas Thomas à interrompeu.
- Eu já tentei entender Ana Clara! Milhões de vezes! - ele falou, empurrando a porta com força - fazendo-a fechar - e andou rapidamente até a garota, que colou as costas no balcão rápido demais, franzindo o cenho de dor. - Mas eu simplesmente nãoentendo porque isso é errado!
Ele apoiou as duas mãos no balcão, uma de cada lado da garota e abaixou a cabeça.
- Porque é tudo um sonho. E eu não posso deixar isso acontecer porque eu me mataria se doesse em você metade do que eu sei que vai doer em mim quando acordarmos. - ela dizia de olhos fechados, segurando as lágrimas enquanto ele encarava sua expressão angelical e triste com seus cansados olhos castanhos.
Quando a bela garota abriu os olhos com algumas lágrimas rolando em seu rosto o garoto se pronunciou com a voz embargada:
- Confie em mim, doerá mais se não acontecer. Nem que seja em um sonho, eu preciso te sentir ao menos uma vez... - ele dizia baixo, mas pela proximidade dos corpos, a garota foi capaz de ouvir cada palavra.
Quando seus olhos se encontraram, depois de minutos e minutos em silêncio, eles sabiam; eles precisavam daquela memória, mesmo que ela tenha sido inventada pela mente sonhadora de dois apaixonados.
O garoto se aproximou mais dela, e esta - mesmo tremendo - levou suas mãos ao pescoço do garoto, sentindo um suspiro pesado dele em seu rosto ao contato de suas peles. Ele fechou os olhos e com a ponta dos dedos desenhou o corpo da menina, tantas vezes observado por ele. Ela tremeu e sem querer arranhou a nuca do garoto, que deixou um gemido baixo escapar pelos lábios entreabertos para ajudá-lo a respirar melhor. Ela soltou uma risada nasalada e o garoto apertou um pouco as mãos na cintura dela, abrindo os olhos em seguida, rápido o suficiente para vê-la ofegar. Seus olhos pousaram na boca rosada da garota, agora entreaberta, muito convidativa. Ele aproximou os rostos dos dois com alguns gestos, e sentiu a mão esquerda da menina deslizar pelo seu ombro para apertar seu braço. Os olhos dela passavam insegurança mas também desejo. Ele sorriu carinhoso e ela aliviou a pressão no braço dele. O garoto encostou seus lábios contra os dela. Devagar, delineou os lábios da menina com a língua formigante e ela - depois de alguns segundos e muitos fios de cabelos arrancados da nuca dele - cedeu à passagem.
Assim que suas línguas se tocaram, os dois soltaram gemidos abafados pelo contato de suas bocas. Ana Clara afundou as mãos nos cabelos de Thomas, que apertava mais seus corpos contra a bancada. A garota ouviu seu nome ao longe e partiu o beijo subitamente. Se pendurou no pescoço do garoto, que retribuiu o abraço ainda assustado.
- Eu lhe prometo que a gente vai se ver de novo. - ela disse, o soltando, e passando as mãos repetidas vezes pelo pescoço dele.
- Eu confio em você. - ele disse segurando as mãos dela e se aproximando. Lhe deu um selinho e quando suas línguas se encontraram - sem eles terem aberto à nenhum tipo de passagem - os dois acordaram. A 10.406 Km de distância.

Texto: Ana Clara Espacini.

Ana